Danças Circulares: o bem-estar coletivo contra a doença emocional

2016-06-20 15:16:00 - Jornalista: Alexandre Bordalo
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Foto de pessoas realizando danças circulares no Solar dos Mellos
Foto: Rui Porto Filho
De mãos dadas e em roda se vivencia o sentimento de integração

Mais ânimo e maior alegria. Estes foram os resultados das danças circulares realizadas no pátio do Solar dos Mellos, na manhã desta segunda-feira (20) para 18 pessoas com transtorno mental grave. Quem promoveu a terapia foi o Centro de Atenção Psicossocial (Caps) da prefeitura, onde também há atividades terapêuticas como: arte-terapia, musicoterapia, artesanato, além das oficinas de caderno e humor. Os cerca de 40 usuários que se dirigem a esse órgão público diariamente também contam com exercícios físicos. O Solar dos Mellos é vinculado à Fundação Macaé de Cultura.

Para a psicóloga do Caps, Fabrice Sanches, o principal objetivo das danças circulares é proporcionar a integração do grupo por meio de movimentos corporais. “Nessa terapia, trabalhamos com ritmo e coordenação motora, quando a solidariedade e a tolerância são desenvolvidas, uma vez que os participantes devem ter paciência com os limites corporais dos outros membros da roda”, diz.

- Percebemos que as Danças Circulares despertam a alegria do grupo e facilitam a movimentação corporal. Não há intenção de padronização estética e sim da expressão livre do movimento, já que cada participante encontra o seu jeito próprio de dançar. Entendemos este espaço como um dispositivo terapêutico na medida em que desperta a motivação, proporciona bem-estar e possibilita a integração do grupo - complementa a psicóloga.



Exaltação do bem-estar mental

Usuários do Caps que deram depoimento enalteceram a alegria proporcionada pelas danças circulares, como foi o caso de Rosa da Rocha, de 52 anos. Já Queysa de Andrade, de 41 anos, afirmou que as danças a deixam feliz, principalmente quando participa até o fim. “Também gosto de musicoterapia, pois a música nos anima e fortalece”, comenta.

Segundo Adelmo Francisco, de 57 anos, as terapias como as realizadas na manhã desta segunda promovem bem-estar, aliviando dores de cabeça. Leandro Correia conta que as danças circulares são um exercício para o corpo, não deixando que a monotonia domine. “A gente não fica parado”, justifica.

Esta visão é compartilhada por Rita de Souza, de 60 anos, cujo filho, Daniel Simões, de 25 anos, frequenta o Caps. “Estou gostando das terapias oferecidas a meu filho. Em casa, ele não faz nada e atividades como estas o ajudam psicologicamente”, pontua. Ela acrescenta: “Na próxima vez eu também farei a terapia de danças circulares”.



Participação de todos

As Danças Circulares surgiram na década de 1960, quando o coreógrafo e bailarino clássico alemão, Bernhard Wosien, deu início ao estudo das danças folclóricas e étnicas de diversos povos, buscando compreender sua simbologia e imprimir um sentido às danças, que não fosse puramente estético.

Em 1976, ele foi convidado a apresentar a metodologia das Danças Circulares na comunidade de Findhorn, na Escócia, considerada o berço das Danças Circulares.

Essas formas de expressão, em sua maioria, constituem-se de passos simples, permitindo a participação de todos, independentemente de terem prévio conhecimento em dança.

O principal objetivo das Danças Circulares é resgatar o senso coletivo da dança, pois de mãos dadas e em roda se vivencia o sentimento de integração.

No Caps Betinho, as Danças Circulares são realizadas semanalmente, desde 2010, no espaço da Oficina de Expressão Corporal.

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