
Foto: Bruno Campos
A obra, produzida na categoria mural e inserida no universo da street art, ocupa aproximadamente 3.850 metros quadrados em cada lado do prédio
As paredes do Centro Macaé de Cultura ganham uma nova dimensão de cores, identidade e memória com a realização de um grande mural artístico assinado pelo artista urbano Marlon Muk, que há 28 anos se dedica à arte urbana. A obra, produzida na categoria mural e inserida no universo da street art, ocupa aproximadamente 3.850 metros quadrados em cada lado do prédio, transformando a paisagem urbana em uma grande homenagem à cultura, à educação e à população de Macaé.
O trabalho foi realizado ao longo de aproximadamente 30 dias, considerando todas as etapas de preparação, instalação do sistema de acesso por andaime suspenso, organização dos materiais, estudos estruturais do prédio e execução. A pintura dos dois lados do edifício foi concluída em 14 dias. Cerca de 10 pessoas participaram diretamente da produção, entre profissionais da equipe artística, técnicos de segurança, engenheiro, produção e registro.
O mural foi concebido para contar uma história sobre Macaé por meio de seus personagens, símbolos e manifestações culturais. Em um dos lados, a identidade da cidade é representada pela figura de uma criança macaense feliz, que veste uma camisa com estampa inspirada em Maria José Guedes, personagem de grande relevância para a história cultural do município e que dá nome à Escola Municipal de Artes Maria José Guedes, instalada no Centro Macaé de Cultura.
A composição também incorpora elementos pessoais e afetivos. As digitais das crianças retratadas na obra foram fotografadas pelo próprio artista, posteriormente vetorizadas e aplicadas ao mural por meio de videoprojeção. Dessa forma, as digitais de Davi e Giullia, modelos reais, aparecem integradas à composição, buscando enfatizar a ideia de identidade e pertencimento.
No outro lado do prédio, a figura de uma mãe representa o papel da família e dos responsáveis na formação das crianças. A imagem dialoga com temas como educação, beleza e cultura, trazendo referências à dança e ao balé como expressões capazes de despertar sensibilidade, criatividade e novas possibilidades na vida das pessoas.
A obra também reserva espaço para destacar a música e a história cultural de Macaé. Na parte inferior, duas paredes irão ressaltar a figura de Benedito Lacerda, compositor, flautista e maestro brasileiro nascido no município, que desde pequeno frequentou a Sociedade Musical Nova Aurora. Elementos relacionados ao universo musical complementam a homenagem e ampliam o diálogo do mural com a trajetória artística da cidade.
Para Marlon Muk, a principal mensagem da obra é de orgulho e pertencimento.
“Os macaenses têm motivos de sobra para ter muito orgulho da cidade e da cultura”, resume o artista, que buscou criar uma composição acessível e plural, capaz de estabelecer uma relação direta com quem circula pelo espaço.
“Representa o reconhecimento máximo dentro da minha cidade, um amadurecimento, um conteúdo técnico, resultado de muito estudo. Traz muita felicidade. Representa uma bandeira estendida no município. Estou aqui para fazer o melhor”, afirma.
“O mural artístico no prédio da Cultura traz identidade e visibilidade ao nosso espaço, convidando a cidade a reconhecer e celebrar a produção cultural local. É sinal de que a cultura está viva no centro da cidade. Além disso, o trabalho dá nome e rosto a um lugar que antes passava despercebido, tornando o espaço mais acolhedor e fortalecendo o vínculo entre a instituição e a comunidade”, destaca.
“A arte urbana pode estreitar essa relação com a população da cidade. Mostrar que o poder público e nós, artistas, estamos preocupados em fazer uma arte plural, que possa ter o entendimento das pessoas que passam e observam esse trabalho, é também uma homenagem à nossa cidade e à nossa população”, explica.
“Pintar na altura é sempre um desafio. Tem a questão do vento e não podemos trabalhar no jaú de qualquer maneira, por questões de segurança. Não é a mesma coisa que estar pintando no chão. No alto, sempre existem grandes desafios”, relata.
“Não tinha ideia da evolução que isso teria hoje em dia, e hoje dão espaço e me apoiam de forma tão positiva”, conta.
“Sou um eterno estudante de arte”, afirma.