Sobe para 50% os leitos de UTI ocupados na rede pública

2020-05-18 12:08:00 - Jornalista: Janira Braga
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Prefeito descarta lockdown no dia de hoje (segunda, 18), mas considera adotar a medida se aumentar número de leitos de UTI ocupados

A pandemia do coronavírus em Macaé fez com que os leitos de UTI na rede pública saltassem de 30% de ocupação na sexta-feira (15) para 50% nesta segunda-feira (18). A informação foi dada pelo prefeito Dr. Aluizio em entrevista coletiva por videoconferência, na qual ele descartou a possibilidade no dia de hoje (segunda, 18) de lockdown, mas afirmou que é possível que a medida seja tomada caso a ocupação dos leitos em centro de terapia intensiva pública chegue de 60% a 70%.

"Até sexta-feira eram 11 doentes internados (em leitos de UTI na rede pública), hoje são 18, um aumento preocupante. Tomamos as definições da pandemia a cada dia, se chegarmos a 60%, a 70% dos leitos ocupados em terapia intensiva teremos que ser mais drásticos e fazer um freio de arrumação", destacou o prefeito, frisando que dentro da lógica global epidemiológica, Macaé está no caso de atenção, um antes da emergência.

Dr. Aluizio ressaltou que a rede pública está mudando o conceito que preconizava para quem estava com febre e cansaço ficar em casa. "A gente precisa encontrar o paciente no máximo no quinto dia de doença, um paciente com cinco dias de febre, cinco dias de cansaço. Essa pessoa tem que ir ao Centro do Coronavírus porque se ela só for no sétimo dia, vai chegar mal. Se você está três dias com febre, precisa procurar ajuda", disse, acrescentando que começarão a ser realizados testes sorológicos nesta terça-feira (19) nas barreiras sanitárias dentro de Macaé.

Ele lembrou do funcionamento da Casa de Quarentena, no Hotel de Deus, que disponibiliza cem leitos para quem não tem condição de se isolar dentro de casa. Dr. Aluizio externou sua preocupação com a perda do controle do isolamento. "É complicado lidar com pandemia que já dura 60 dias, mas é preciso existir o isolamento social, por isso vamos prorrogar o decreto que suspende as atividades laborais para primeiro de junho", comentou.

Prefeito descarta flexibilização do comércio até 1° de junho

Na entrevista coletiva, o prefeito Dr. Aluizio reforçou que é que preciso manter o isolamento social com ordenamento. "Todo comércio foi aberto de forma progressiva, temos projeto para ampliar o comércio mas, por ora, Macaé não permite que a gente avance. Nem esta semana e nem semana que vem. Vamos até primeiro de junho sem nenhuma atividade laboral em Macaé. Os números não permitem, em sã consciência não dá para abrir mais nada", atestou, observando que, embora a cidade não registre óbito há sete dias, a gravidade dos doentes está alta.

Em 60 dias de funcionamento foram atendidas 8.100 pessoas no Centro de Triagem do Paciente com Coronavírus. Foram realizados 1.022 testes, sendo 40,7% positivos. A taxa de mortalidade foi de 4,67%. Destes óbitos, 90% se referem a pacientes acima de 60 anos com comorbidades. Hoje em Macaé são 476 casos confirmados, 20 óbitos e 230 recuperados. Passaram pela barreira sanitária 216 mil pessoas, cerca de 8,5 mil foram impedidas de entrar em Macaé e 200 pessoas foram encaminhadas para o Centro de Triagem com sintomas.

Dr. Aluizio assinalou que mais cinco mil testes deverão ser realizados neste primeiro momento. O prefeito também agradeceu o apoio do Judiciário e do Ministério Público nas medidas de combate ao coronavírus. "O isolamento social precisa ter o apoio da sociedade, o coronavírus é uma doença de alta complexidade, é uma doença sistêmica que não afeta só os pulmões", reforçou.

Na entrevista, o prefeito também fez uma retrospectiva das medidas adotadas contra a proliferação do coronavírus desde que a primeira pessoa, que havia viajado para a Itália, foi detectada com sintomatologia compatível com o coronavírus em Macaé.

"Por volta do dia 15 de março nós ficamos extremamente preocupados. Na verdade nossa preocupação vem desde janeiro, com o evento dos infectologistas para os profissionais de saúde sobre o tema. Houve dois fatos em fevereiro que chamaram nossa atenção de duas pessoas com sintomatologia, com relação Itália e São Paulo. Adiamos o evento sobre o uso medicinal da cannabis e, em seguida, houve o primeiro decreto em Macaé com focos na higiene na escola e suspensão de procedimentos eletivos na saúde para organizar a rede. À tarde suspendemos aulas na rede pública e no dia seguinte, conversamos com a iniciativa privada, que também suspendeu as aulas", relembrou.

Após este primeiro momento, o prefeito se reuniu com a rede hoteleira, com a indústria de óleo e gás e foi criado um projeto inter-hospitalar, organizando fluxo de pessoas. Na semana seguinte foram suspensas todas as todas as atividades laborais em Macaé, permanecendo as atividades essenciais. "Neste processo organizamos o Centro de Controle do Coronavírus e começamos a fazer as barreiras sanitárias, impedindo que quem tem sintomatologia não possa entrar na cidade", enumerou.

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