
Foto: Moisés Bruno
O evento destaca o Brasil e o Norte Fluminense no centro da geopolítica energética e na vanguarda da transição energética
A 11ª edição do Anuário do Petróleo no Rio foi lançada pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan/Senai/Sesi), nesta quinta-feira (3), em sua sede Macaé. A publicação inclui o Recorte Regional Norte Fluminense e um painel dinâmico que pode ser acessado em: https://observatorio.firjan.com.br/inteligencia-de-dados/dados-dinamicos-do-anuario-do-petroleo-no-rio-2026. Durante o evento, o prefeito Welberth Rezende destacou que o documento retrata o momento econômico positivo e avanços em Macaé. Ele informou que a produção local prevista para este ano é de 400 mil barris e que a perspectiva de produção da Petrobras para os próximos cinco anos é de um milhão de barris.
O documento aponta para a relevância do Brasil e do Rio de Janeiro como fornecedores seguros de petróleo e gás para o mundo. O Anuário reúne análises e perspectivas de instituições públicas, empresas, associações e especialistas sobre os desafios e oportunidades que devem moldar o futuro da indústria de petróleo, gás natural e energia nos próximos anos. Nesta edição, além das análises apresentadas pela equipe técnica da Firjan, a Rystad Energy, EPE, Casa Civil da Presidência da República, PPSA, Siemens Energy, ABPIP, Veirano Advogados, Petrobras e ONIP contribuíram com conteúdo.
Além do detalhamento das informações do Anuário pelo gerente de Cenários da Gerência Geral de Petróleo, Gás, Energias e Naval da Firjan, Sávio Bueno, e da apresentação da unidade Firjan pelo gerente executivo regional, Anderson Carolo, gestores da Prefeitura de Macaé apresentaram dados orçamentários, análise sobre a recuperação de investimentos no município, federais e estaduais, e planejamento orçamentário. Houve também um debate com a participação do secretário executivo de Políticas Energéticas de Macaé, Rodrigo Vianna, e do analista de pesquisa energética da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Carlos Augusto Pacheco, mediado pela gerente-geral de Petróleo, Gás, Energias e Naval da Firjan, Karine Fragoso.
“Estamos muito otimistas com o crescimento de Macaé. Este anuário com o recorte Norte-Fluminense traz a análise disso. É um retrato deste momento positivo, de avanço, um momento de investimento na cidade. Estive ontem na Petrobras. Só da parte dela, temos uma produção de 330 mil barris de petróleo por dia neste momento. Estamos produzindo 370 mil barris no total, com a previsão de fecharmos o ano com 400 mil barris. A previsão da Petrobras para os próximos cinco anos é chegar a um milhão de barris, sem contar os operadores independentes. Três vezes mais do que é produzido hoje. Nossa parte, enquanto poder público, é facilitar, desburocratizar, fazer com que a máquina pública seja um fator positivo no crescimento da cidade. Chamo atenção para dois grandes projetos: o Raia, de 9 bilhões de dólares, e o investimento de 20 bilhões de dólares do projeto da revitalização dos campos maduros, o Programa de Revitalização e Incentivo à Produção de Campos Marítimos (Promar). São quase 200 bilhões de reais neste momento sendo investidos aqui”, disse o prefeito.
“No ano passado, Macaé foi a cidade que mais criou vagas de emprego no Brasil (Caged/Ministério do Trabalho e Emprego). Estamos avançando colaborando com a indústria. Mas a cidade tem o olhar não só para a área do petróleo. Vamos criar um Fundo Soberano para guardarmos parte deste dinheiro para o futuro, para as próximas gerações. Estamos diminuindo a dependência do petróleo, criando formas de arrecadação, diversificando a economia. Estamos avançando no turismo e no agronegócio. Macaé é o maior produtor de grãos do estado. Quanto à arrecadação municipal, só o ISS vai passar este ano de 2 bilhões de reais, por conta da pujança da cidade”.
“Antes da Petrobras chegar, Macaé não tinha um peso no cenário econômico do país. Não tinha visão estratégica. A Petrobras, antes de chegar em Macaé, não era inserida no mercado internacional como uma grande produtora de petróleo. Então, nós crescemos juntos. Hoje Macaé é uma cidade com desenvolvimento econômico, acima do crescimento econômico. São duas coisas diferentes. O crescimento econômico mede quantidade: é o PIB, o PIB per capita e a taxa de desemprego. Já o desenvolvimento econômico mede qualidade: é o Índice de Desenvolvimento Econômico (IDH) e a qualidade de vida. A Firjan é nossa grande parceira”.
“Apenas 30% da receita é dos royalties. A cidade tem hoje 70% da sua receita composta por impostos e taxas. Isso mostra uma saúde financeira importante. (...) Não há desenvolvimento sem que as pessoas sejam as beneficiárias deste crescimento econômico. Isso é feito através de um trabalho junto à Firjan, ao Sesi e ao Senai de preparar a mão de obra, capacitar os jovens para que eles aproveitem toda esta demanda. Macaé é uma das cidades que mais gera emprego no Brasil. Precisamos que as pessoas daqui aproveitem estes empregos, os que demandam maior capacidade”, disse.
“O segundo pilar é ‘Inovação e Tecnologia’. Lutaremos incansavelmente para que Macaé se torne referência em inovação e tecnologia. O terceiro pilar é manter a importância do óleo e gás”, frisou.
“Queremos o alongamento desta bacia, aumento de produção e a segurança para que outras operadoras cumpram o seu papel. Isso vem acontecendo. Durante 50 anos, só tínhamos a matriz econômica do óleo e gás, agora aproveitamos esta riqueza para diversificar as nossas matrizes econômicas”.
“O Norte Fluminense está no centro da geopolítica energética, com várias oportunidades de reconfigurar ativos energéticos (...) O Brasil é também destaque internacional em biocombustíveis. No mundo, estamos na vanguarda da transição energética. Isso não impede que aproveitemos todo o potencial do óleo e gás, para que gere a renda que propicie esta transformação, garantindo segurança no abastecimento, mantendo a segurança ambiental e equidade de acesso à energia”.
“Ficamos muito felizes de ver a Prefeitura pensando o futuro para além do petróleo. Mais do que o município da energia, Macaé é o município da integração energética, vamos poder conviver não só com a produção de óleo e gás, mas com geração de energia eólica e outros derivados, como o projeto da fábrica de fertilizantes. Vejo um futuro bastante extenso”, salientou.