Comédia sobre solidão é tema de peça de teatro

Feb 23, 2010 4:52:17 PM - Jornalista: Alexandre Bordalo

Foto: Robson Maia

Peça é uma tragicomédia

Duas mulheres que conversam separadas por uma parede, refletindo a solidão e a falta de entrosamento na comunicação – sendo nos tempos atuais esse afastamento entre as pessoas comparado ao fato delas ficarem mais de dez horas na Internet. Este é o tema da peça teatral “Conversa Inconsequente Numa Tarde Morna de Domingo”, do teatrólogo Ricardo Meirelles, que também é subsecretário de Acervo e Patrimônio Histórico da prefeitura de Macaé.

Nesta quarta-feira (24), às 18h, na livraria Mário de Andrade, no Rio, haverá a noite de autógrafos para a publicação do livro contendo essa peça e mais sete peças, intitulado Ciclo de Leitura do Instituto Chiquinha Gonzaga. O objetivo deste evento é a divulgação dos oito autores, que participaram do I Ciclo de Leitura Chiquinha Gonzaga, que ocorreu nos dois últimos meses de 2009, no Teatro Princesa Izabel, em Copacabana.

Segundo Ricardo Meirelles, o texto de teatro publicado tem maiores oportunidades de ser encenado porque circula mais, passando pela mão de atores, diretores, além de ficar na biblioteca e sendo alvo de estudos e observações nas escolas de teatro do país.

A peça “Conversa Inconsequente Numa Tarde Morna de Domingo” é uma comédia, ao estilo do teatro do absurdo. Nela duas mulheres passam a tarde do primeiro dia da semana dialogando sobre amenidades. “Na história, criam-se fantasias, utopias e vivem-se mentiras, pois o que falam uma à outra não corresponde à realidade”, conta Meirelles.

- Busco mostrar a solidão das pessoas numa peça tragicômica, que trazida aos dias atuais ocorre também no isolamento que os internautas vivenciam em frente a seus computadores – comenta ele, acrescentando que na sociedade contemporânea o isolamento leva à solidão, que por sua vez deságua na depressão.

Histórico do Autor

Ricardo Meirelles é autor de peças de teatro desde 1976, quando estreou no Rio de Janeiro com “Ferocidade”, uma tragicomédia. Mais tarde, veio “Palácio dos Urubus”, com montagem na Alemanha, em 1978, e na Venezuela, em 1989. Já na Islândia essa peça foi montada em 1992. Seu estilo trata-se de uma farsa política.

Em 1980, foi a vez da peça “Os sobreviventes” (comédia) ser encenada no Teatro Opinião, em Copacabana. Este mesmo trabalho artístico e teatral também foi mostrado para os amantes de teatro da cidade amazonense de Manaus, no ano de 1990.

Na capital do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Ricardo Meirelles lançou a peça “Disse Adeus às Ilusões e Embarcaram para Hollywood”, no ano de 1978.

Em dezembro do ano passado, a peça “A Situação é Absolutamente Normal” foi selecionada para ser lida no Centro Cultural Banco do Brasil.

Teatro do Absurdo

Teatro do absurdo foi um termo criado pelo crítico austríaco Martin Esslin, tentando colocar sob o mesmo conceito obras de dramaturgos completamente diferentes, mas que tinham como centro de sua obra o tratamento de forma inusitada da realidade.

É uma forma do teatro moderno utilizar para a criação do enredo, das personagens e do diálogo elementos chocantes do ilógico, com o objetivo de reproduzir diretamente o desatino e a falta de soluções em que estão imersos o homem e sociedade.

Na primeira edição de "O Teatro do Absurdo", Esslin viu o trabalho destes dramaturgos como dando a articulação artística Albert Camus "filosofia" de que a vida é intrinsecamente sem significado, como ilustrado em sua obra "O Mito de Sísifo".

Embora o termo é aplicado a uma vasta gama de peças de teatro, algumas características coincidem em muitas das peças: uma ampla comédia, muitas vezes semelhantes ao Vaudeville, misturado com imagens horríveis ou trágicos as personagens capturadas em situações ‘sem remédio’ forçadas a fazer o repetitivo ou o sem sentido; ações diálogo cheio de clichês, jogo de palavras, e um disparate; parcelas que são cíclicas ou absurdamente expansivas.

Os seus representantes mais importantes são, além dos já citados, Ionesco, G. Schahadé, Antonin Artaud e J. Audiberti, na França, Günther Grass e Hildersheimer, na Alemanha.

No Brasil, destaca-se José Joaquim de Campos Leão (1829-1883), nascido no Rio Grande do Sul, conhecido como Qorpo Santo. Cronologicamente ele é o pai do absurdo e entre suas obras estão "Certa identidade em busca de outra", "Marido extremoso" e "Mateus e Mateusa".