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“HERANÇA” marca formatura de alunos do curso técnico de Teatro da EMART

24/02/2026 22:10:00 - Jornalista: Janira Braga

Foto: Ana Chaffin

A Turma T23 é formada por Alice Buarque, Attilio Giovanni, Danilo Monteiro, Matheus Macêdo, Rebeca Moreira, Isabela Machado e Mariana Quintanilha

O espetáculo “HERANÇA” estreou nesta terça-feira (24), às 19h, no teatro do Sindipetro-NF, marcando a conclusão da Turma T23 do curso técnico em Teatro da Escola Municipal de Artes Maria José Guedes (EMART), vinculada à Secretaria de Cultura de Macaé. A segunda e última apresentação acontece nesta quarta-feira (25), no mesmo horário e local.

Resultado da disciplina Montagem II, a peça representa o encerramento de um ciclo de dois anos de formação artística dos alunos. A Turma T23 é formada por Alice Buarque, Attilio Giovanni, Danilo Monteiro, Matheus Macêdo, Rebeca Moreira, Isabela Machado e Mariana Quintanilha. Para eles, “HERANÇA” representa a etapa final de uma formação técnica que se estendeu por dois anos, reunindo estudos teóricos, práticas de interpretação, experimentações cênicas e vivências de palco.

A disciplina é ministrada pelos professores Leandro Triervailer e Neyva Santiago. De acordo com a professora Neyva Santiago, o espetáculo foi construído a partir de referências de importantes dramaturgos europeus como Anton Tchekhov, August Strindberg, Luigi Pirandello e Máximo Gorki. No entanto, o texto final ganhou identidade própria ao ser adaptado para a realidade brasileira.

Segundo Neyva, o processo de adaptação exigiu mais do que a junção de obras clássicas.


“Adaptar significa envolver a plateia. Como a nossa plateia é brasileira, precisamos transitar por contextos que façam sentido dentro da nossa realidade”, explica.



A narrativa foi então ambientada no Brasil, retratando a trajetória da família Petrov, imigrantes russos que chegaram ao Sul do país no final do século XIX, por volta de 1890, e prosperaram com o cultivo de uvas e a produção de vinhos.

A história avança sessenta anos e mergulha nos conflitos familiares que surgem em torno da herança — não apenas dos bens materiais, como a casa construída pelos antepassados, mas também das marcas emocionais e sociais deixadas ao longo das gerações. A casa, aliás, assume papel central na montagem, tornando-se símbolo de memória, poder e disputa.

A aluna formanda Mariana Quintanilha assinala a emoção de concluir o curso vivenciando, no palco, os mesmos textos que marcaram sua trajetória acadêmica na EMART. Segundo ela, encerrar o ciclo com autores estudados desde o início da formação torna o momento ainda mais simbólico. “Me sinto muito feliz e honrada de concluir o curso com textos que estudei desde o começo. Meu personagem se chama Maksimo Petrov, em homenagem ao Gorki, um autor pelo qual sempre fui apaixonada”, afirmou. Para a atriz, a montagem representa a concretização de um percurso intenso de estudos e descobertas. “É mágico poder fazer essa formatura com textos que sempre fizeram parte da nossa formação. Parece que tudo me levou até aqui, que esse sempre foi o lugar onde eu quis estar”, completou, emocionada.

Processo coletivo e múltiplas linguagens

Além dos sete formandos, o espetáculo conta com a participação de atores convidados de diferentes faixas etárias — desde crianças de um ano até adolescentes de 17 — além de integrantes do teatro livre (curso básico adulto e infantil da EMART), ex-alunos formados pelo curso técnico e convidados do curso de música da escola.

Neyva detalha que o texto passou por diversas transformações ao longo do processo. Inicialmente, foram selecionados trechos que dialogavam com o perfil e o interesse de cada formando. Aos poucos, o foco deixou de ser apenas os textos originais e passou a ser a construção de um enredo central que unificasse as diferentes referências.


“Criamos uma história principal e, a partir dela, desenvolvemos os perfis dos personagens”, destaca a professora.


Estética e identidade brasileira
Além do texto, o projeto cênico também teve papel fundamental na consolidação da narrativa. Cenário, figurino e linguagem estética foram pensados para dialogar com o contexto histórico da imigração no Brasil, reforçando o simbolismo da casa como patrimônio material e afetivo.

Embora inspirado em dramaturgos russos e europeus, o espetáculo construiu identidade própria ao transportar os conflitos para o cenário brasileiro. A relação com a terra, a produção de vinhos e a estrutura patriarcal conectam passado e presente, tradição e transformação.


"A ideia é que os alunos venham compreender que uma história pode ser contada de diferentes maneiras e que a história pode ser vivenciada através de diferentes estéticas teatrais. Com isso, o teatro nos permite fazer um passeio na temporalidade em que o nosso palco vai ser vivenciado por uma temporalidade do final do século 19 e, ao mesmo tempo, uma temporalidade de 1950. Então esses personagens vão compartilhar esse mesmo espaço em temporalidades diferentes", pontua.



“A proposta sempre foi que os alunos experimentassem não apenas viver a construção do personagem, mas também de criar esse clima. Então, é uma peça que está baseada em uma estética do teatro realista, tendo esses textos europeus clássicos do teatro europeu, não apenas russos, mas também suíço, italiano, e com isso permitir uma diversidade de conhecimentos e estudos através da literatura dramática teatral”, conclui a professora.