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Macaé Energy: encerramento do primeiro dia debate desafios geopolíticos do setor

17/03/2026 18:28:00 - Jornalista: Tatiana Gama

Foto: Divulgação

Representantes do IBP, SLB e Firjan debatem os desafios da indústria de óleo, gás e energia

O primeiro dia da Macaé Energy 2026 foi encerrado nesta terça-feira (17) marcando o evento como um dos principais encontros do setor energético no país. Realizada no Centro de Convenções Jornalista Roberto Marinho, a feira segue até quinta-feira (19), reunindo autoridades, especialistas, empresas e investidores. A cerimônia contou com a presença do vice-prefeito, Fabiano Paschoal, e do secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Rodrigo Vianna.

A oportunidade contou com a palestra do presidente do IBP, Roberto Ardenghy e do diretor-geral da SLB, Thomas Filiponi, sob mediação da gerente geral de Óleo, Gás, Energias e Naval da Firjan, Karine Fragoso.

A programação de abertura trouxe reflexões estratégicas sobre o cenário global e seus impactos no setor de óleo, gás e energia. Um dos destaques foi a palestra do presidente do IBP, Roberto Ardenghy, que abordou o papel do Brasil em tempos de conflitos mundiais e a importância da diversificação energética, aliada à segurança do abastecimento.

Durante o encerramento desta terça-feira, também ganharam relevância os debates sobre o fortalecimento de novos mercados no país. A gerente geral de Óleo, Gás, Energias e Naval da Firjan, Karine Fragoso, destacou o avanço das atividades de descomissionamento e revitalização de infraestruturas, apontando essas frentes como estratégicas para a ampliação da produção em campos maduros e para a sustentabilidade das operações no setor.

Segundo Roberto Ardenghy, o cenário global do petróleo segue marcado por forte concentração produtiva e sensibilidade a fatores geopolíticos. “Dados recentes indicam que os Estados Unidos lideram a produção mundial, com cerca de 13,2 milhões de barris por dia, seguidos por Rússia (10,2 milhões) e Arábia Saudita (9,2 milhões). Nesse contexto, o Brasil ocupa a 8ª posição, com produção em torno de 3,4 milhões de barris diários, consolidando-se como um dos principais players fora do eixo tradicional do Oriente Médio”, destacou.

Ardenghy ainda revelou que a região do Oriente Médio, por sua vez, permanece estratégica: responde por aproximadamente 31,1% da produção global de petróleo e cerca de 40% das exportações mundiais. “Um ponto crítico é o Estreito de Ormuz (entre o Golfo Pérsico e Golfo Omã), por onde escoa cerca de 20% de todo o petróleo produzido na região, tornando o mercado altamente vulnerável a tensões geopolíticas. Países como China e Índia figuram entre os maiores importadores, com destaque para a China, responsável por cerca de 26% do comércio global de petróleo”, analisou.

No gás natural, o cenário também evidencia concentração, com liderança dos Estados Unidos e da Rússia, enquanto o Brasil aparece em posição mais modesta, ocupando o 30º lugar na produção mundial. No contexto brasileiro, o crescimento da produção de petróleo tem sido impulsionado principalmente pela exploração do pré-sal e pelo avanço tecnológico no setor.

“Diante desse panorama, o Brasil se posiciona como um ator relevante na segurança energética global, com potencial de expansão sustentável. Ao mesmo tempo, o cenário internacional reforça a importância de estratégias que combinem aumento da produção, inovação tecnológica e diversificação da matriz energética, especialmente em um ambiente global impactado por conflitos e instabilidades”, disse Roberto.

A participação da SLB reforçou o protagonismo da inovação tecnológica no desenvolvimento energético. Com 80 anos de atuação no Brasil e quatro décadas de presença em Macaé, a empresa apresentou sua estrutura consolidada no país, com seis mil funcionários, 11 bases operacionais e cinco centros de inovação, evidenciando seu compromisso com a transição energética e soluções sustentáveis.

Outro debate foi sobre a Margem Equatorial brasileira, destacada como uma das novas fronteiras exploratórias mais promissoras do país no setor de óleo e gás. Localizada ao longo da costa norte, entre os estados do Amapá e do Rio Grande do Norte, a região apresenta elevado potencial geológico. O avanço das discussões sobre a Margem Equatorial reflete a busca por ampliação das reservas nacionais e diversificação das áreas de produção, ao mesmo tempo em que levanta discussões sobre licenciamento ambiental e desenvolvimento sustentável. Nesse contexto, a exploração da região é vista como estratégica para garantir a segurança energética, atrair investimentos e fortalecer o posicionamento do Brasil no cenário global do petróleo.

Segundo a CEO da Open Brasil, Fátima Facuri, a Macaé Energy já integra o calendário nacional de grandes eventos do setor, refletindo a relevância estratégica do município no cenário energético brasileiro.

A Macaé Energy 2026 é patrocinada pela Prefeitura de Macaé, com apoio estratégico da Rede Petro-BC e organização da Firjan, reafirmando a cidade como protagonista nas discussões sobre inovação, sustentabilidade e desenvolvimento da cadeia energética.



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