
Foto: Maurício Porão
Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres reforçou o enfrentamento à violência contra a mulher na programação
A campanha Agosto Lilás vem sendo marcada em Macaé por uma série de atividades voltadas à conscientização, à prevenção e ao enfrentamento da violência contra a mulher. Ampliando esse diálogo para o ambiente acadêmico, universitários participaram de um encontro realizado recentemente na Cidade Universitária.
O evento reuniu reflexão, conhecimento e compromisso com a proteção das mulheres, em referência aos 20 anos da Lei Maria da Penha. A iniciativa foi promovida recentemente pelo Programa de Extensão “Direito do Futuro: cidadania, carreira e solução de conflitos”, da Universidade Federal Fluminense (UFF), e contou com a participação de estudantes, profissionais da área, pesquisadores e integrantes da comunidade interessados em fortalecer o enfrentamento à violência de gênero e a promoção dos direitos das mulheres.
O encontro destacou a importância de aproximar a universidade, o poder público, o sistema de Justiça e a sociedade para ampliar a informação e fortalecer uma rede de prevenção e proteção. A programação possibilitou o compartilhamento de conhecimentos e experiências sobre os mecanismos de enfrentamento à violência contra a mulher, reforçando que a conscientização precisa começar também entre os jovens e ser construída de forma permanente. Participaram dos debates representantes da UFF, da gestão pública municipal, do sistema de Justiça e da advocacia.A mesa de abertura foi composta pela secretária municipal de Políticas para as Mulheres, Quelen Rezende; pela presidente da OAB 15ª Subseção Macaé, a advogada trabalhista Ana Gleice; pela professora Fernanda Andrade, da UFF, coordenadora do programa de extensão do Núcleo de Pesquisa e Extensão em Direito das Mulheres (Nupedim); e pela professora Fabianne Manhães, também da UFF, coordenadora do projeto “Direito do Futuro”.
Entre os participantes esteve a universitária Ana Silva, que destacou a relevância de discutir o tema no ambiente acadêmico e de ampliar o conhecimento entre os jovens.
“É muito importante termos esse tipo de diálogo dentro da universidade, porque informação também é uma forma de prevenção. Muitas vezes, o conhecimento sobre os direitos e sobre os caminhos para buscar ajuda pode fazer diferença na vida de uma mulher. Levar esse debate para os estudantes contribui para formar uma sociedade mais consciente, respeitosa e preparada para não aceitar nenhum tipo de violência”, afirmou.
“Nossa prioridade é que a mulher seja acolhida da melhor maneira, retome a autoestima com terapias integrativas e o grupo terapêutico 'Macaé em Boas Mãos'. A proposta é que ela encontre orientação segura quando decidir buscar ajuda. O acolhimento é fundamental para que a mulher saiba que não está sozinha. Precisamos oferecer informação, escuta e orientação para que ela conheça seus direitos e possa encontrar os caminhos necessários para romper o ciclo da violência. Esse trabalho precisa ser feito com respeito, cuidado e sem julgamentos. No momento em que a nossa atendida se sente segura, ela trilha novos caminhos”, ressaltou.
“Falar sobre violência contra a mulher é também falar sobre prevenção. Todo direito que a mulher conquistou ao longo da história é fruto de muita luta. Quanto mais informação tivermos, maiores serão as possibilidades de identificar situações de violência e buscar ajuda. A educação e o diálogo são instrumentos importantes para transformar comportamentos e construir relações baseadas no respeito. Lembrando que a rede conta com o trabalho do Centro Especializado de Atendimento à Mulher (CEAM), é totalmente sigiloso e espaço estratégico de acolhimento humanizado,, pois atende essa mulher que, muitas vezes, tem medo e vergonha. Também contamos com parceiros, como a OAB, que contribui com o nosso trabalho”, acrescentou.
“Passamos por muita luta e resistência. Agradeço a parceria com a universidade, através de projetos como 'Maria da Penha nas Escolas', e também o apoio de universitários e professores do Cajuff. O Agosto Lilás é um período importante para ampliarmos essa conversa, mas o combate à violência contra a mulher precisa acontecer durante todo o ano. Precisamos falar sobre prevenção, sobre direitos e, principalmente, sobre a necessidade de não aceitarmos o machismo como algo natural. Não ao machismo, não à violência e não a qualquer comportamento que coloque a mulher em situação de desrespeito ou vulnerabilidade”, afirmou.
“Macaé possui equipamentos públicos preparados para acolher, orientar e encaminhar as mulheres que precisam de apoio. É fundamental que elas saibam onde procurar ajuda e tenham segurança para dar esse primeiro passo. O acolhimento humanizado faz a diferença, porque muitas vezes a mulher chega fragilizada e precisa encontrar uma rede que a escute, respeite sua história e apresente os caminhos possíveis para sua proteção. Macaé vai abranger também o projeto Refletir, voltado para o atendimento e a reeducação de homens envolvidos em situações de violência doméstica. Trata-se de um grupo reflexivo de cunho psicossocial para homens encaminhados pelo Poder Judiciário durante o cumprimento de medidas protetivas de urgência da Lei Maria da Penha”, ressaltou.
“Quando levamos esse debate para a universidade, estamos dialogando diretamente com uma nova geração. Precisamos formar jovens conscientes de que nenhuma forma de violência pode ser naturalizada e de que relações saudáveis são construídas com respeito, igualdade e diálogo. A conscientização é uma ferramenta poderosa para transformar a sociedade. Acabou a história de que 'em briga de marido e mulher não se mete a colher'”, completou Quelen.