
Foto: Ronan Alexandre
As atividades, também para crianças, seguirão até quarta-feira (29)
A programação na Tenda da Educação na Expo Macaé 2026, nesta segunda-feira (27), contou com as palestras ‘Mulheres Negras na Sociedade: o que os Dados Mostram’, com a Doutora em Educação (PPGEduc/UFRRJ), Joanna de Ângelis Lima Roberto, e ‘Tecnologias Ancestrais Africanas’, com o Mestre em Ensino de Ciências e Matemática (Nutea/UFRJ), ambos professores da Rede Municipal de Ensino de Macaé.
As atividades na Tenda da Educação prosseguirão até terça-feira (28). A professora Joana de Ângelis apresentou um panorama da realidade das mulheres brasileiras, com ênfase na situação das mulheres negras, a partir de dados do IBGE e de outras instituições de pesquisa. A palestra abordou indicadores relacionados à educação, trabalho, saúde e violência, evidenciando as desigualdades raciais e de gênero que ainda marcam a sociedade brasileira e reforçando a importância das políticas públicas e da educação na promoção da equidade e da justiça social.
“Em relação as cotas, os alunos se veem como iguais. Como fazer esta abordagem para os jovens”, perguntou a professora de Ciências e de Educação Étnico Racial de turmas do segundo segmento do Ensino Fundamental da Escola Municipal Paulo Freire, no bairro Lagomar, Gisele Fonseca.
Já o professor Júlio Omar destacou as contribuições científicas, matemáticas e tecnológicas desenvolvidas pelos povos africanos ao longo da história. A apresentação evidenciou como estes conhecimentos podem servir de base para o ensino da Matemática, em consonância com a Lei 10.639/2003 e com os princípios da educação antirracista. O objetivo é a valorização da produção intelectual africana e promoção de práticas pedagógicas que reconheçam a diversidade de saberes e fortaleçam uma educação mais inclusiva e equitativa.
“É importante deixar claro que não basta ser negro para conseguir a cota. Há a questão social. A cota racial está atrelada ao poder aquisitivo (...) são temporárias, até alcançarmos índices satisfatórios. São um instrumento para a equidade", esclareceu Joana de Ângelis.
A coordenadora pedagógica em Educação para as Relações Étnico-Raciais de Macaé, Mauriléa Rodrigues, com a colaboração do Doutor em Memória Racial e responsável pela incubadora de projetos Simunye, parceira da Secretaria de Educação de Macaé para o desenvolvimento desta temática, Jorge Luís Rodrigues dos Santos, elaboraram, para o segundo semestre letivo, formações continuadas. Além dos momentos formativos, a Coordenadoria oferecerá aos docentes da Rede de Ensino de Macaé orientações e ações voltadas à implementação da legislação vigente, além da discussão de documentos relevantes do Ministério da Educação. Também está prevista a elaboração de um documento municipal de protocolo antirracista.
“O perigo da história única. É sobre esta temática que baseio a minha apresentação. A etnomatemática não trabalha só com matemática (...) A colonialidade do ser é a dimensão mais subjetiva da colonialidade, afetando a forma como as pessoas se veem e se entendem no mundo (...) A colonialidade do saber é a imposição de um conhecimento europeu único, válido e legítimo. Essa é a base de nossa educação. Isso resulta no apagamento de saberes e etimologias não-europeias”, ressaltou Júlio Omar.
“Esperamos que este protocolo contribua para o fortalecimento curricular, reafirmando o compromisso da secretaria Municipal de Educação com práticas pedagógicas mais inclusivas e socialmente comprometidas”, disse Mauriléa Rodrigues.