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Palestras para Educação Antirracista qualificam professores na Tenda da Educação

27/07/2026 20:52:00 - Jornalista: Andréa Lisboa

Foto: Ronan Alexandre

As atividades, também para crianças, seguirão até quarta-feira (29)

A programação na Tenda da Educação na Expo Macaé 2026, nesta segunda-feira (27), contou com as palestras ‘Mulheres Negras na Sociedade: o que os Dados Mostram’, com a Doutora em Educação (PPGEduc/UFRRJ), Joanna de Ângelis Lima Roberto, e ‘Tecnologias Ancestrais Africanas’, com o Mestre em Ensino de Ciências e Matemática (Nutea/UFRJ), ambos professores da Rede Municipal de Ensino de Macaé.

As atividades na Tenda da Educação prosseguirão até terça-feira (28). A professora Joana de Ângelis apresentou um panorama da realidade das mulheres brasileiras, com ênfase na situação das mulheres negras, a partir de dados do IBGE e de outras instituições de pesquisa. A palestra abordou indicadores relacionados à educação, trabalho, saúde e violência, evidenciando as desigualdades raciais e de gênero que ainda marcam a sociedade brasileira e reforçando a importância das políticas públicas e da educação na promoção da equidade e da justiça social.


“Em relação as cotas, os alunos se veem como iguais. Como fazer esta abordagem para os jovens”, perguntou a professora de Ciências e de Educação Étnico Racial de turmas do segundo segmento do Ensino Fundamental da Escola Municipal Paulo Freire, no bairro Lagomar, Gisele Fonseca.


“É importante deixar claro que não basta ser negro para conseguir a cota. Há a questão social. A cota racial está atrelada ao poder aquisitivo (...) são temporárias, até alcançarmos índices satisfatórios. São um instrumento para a equidade", esclareceu Joana de Ângelis.

Já o professor Júlio Omar destacou as contribuições científicas, matemáticas e tecnológicas desenvolvidas pelos povos africanos ao longo da história. A apresentação evidenciou como estes conhecimentos podem servir de base para o ensino da Matemática, em consonância com a Lei 10.639/2003 e com os princípios da educação antirracista. O objetivo é a valorização da produção intelectual africana e promoção de práticas pedagógicas que reconheçam a diversidade de saberes e fortaleçam uma educação mais inclusiva e equitativa.


“O perigo da história única. É sobre esta temática que baseio a minha apresentação. A etnomatemática não trabalha só com matemática (...) A colonialidade do ser é a dimensão mais subjetiva da colonialidade, afetando a forma como as pessoas se veem e se entendem no mundo (...) A colonialidade do saber é a imposição de um conhecimento europeu único, válido e legítimo. Essa é a base de nossa educação. Isso resulta no apagamento de saberes e etimologias não-europeias”, ressaltou Júlio Omar.

 

A coordenadora pedagógica em Educação para as Relações Étnico-Raciais de Macaé, Mauriléa Rodrigues, com a colaboração do Doutor em Memória Racial e responsável pela incubadora de projetos Simunye, parceira da Secretaria de Educação de Macaé para o desenvolvimento desta temática, Jorge Luís Rodrigues dos Santos, elaboraram, para o segundo semestre letivo, formações continuadas. Além dos momentos formativos, a Coordenadoria oferecerá aos docentes da Rede de Ensino de Macaé orientações e ações voltadas à implementação da legislação vigente, além da discussão de documentos relevantes do Ministério da Educação. Também está prevista a elaboração de um documento municipal de protocolo antirracista.


“Esperamos que este protocolo contribua para o fortalecimento curricular, reafirmando o compromisso da secretaria Municipal de Educação com práticas pedagógicas mais inclusivas e socialmente comprometidas”, disse Mauriléa Rodrigues.



Racismo Estrutural no Brasil


Na terça-feira (28), a palestrante será a Doutora Nathalia Rodrigues. Ela abordará o tema Racismo Estrutural no Brasil, analisando como as bases históricas da escravidão, da segregação e da opressão da população negra continuam influenciando as relações sociais na atualidade. A palestra dará destaque às experiências das mulheres negras, historicamente invisibilizadas nas relações sociais, de trabalho e afetivas, além de discutir como o racismo se manifesta no ambiente escolar. A apresentação também trará reflexões e possibilidades para a construção de práticas educativas mais equânimes, inclusivas e comprometidas com a educação antirracista.

Programação na Tenda da Educação

Terça-feira (28), das 11h às 13h - Racismo Estrutural e a Solidão da Mulher Negra: uma abordagem histórica e perspectivas escolares, com Profa. Dra. Nathalia Rodrigues. Das 13h às 15h, Cinema Negro e Antirracismo, exibição dos filmes Romão, Feli(z)Cidade e Tião, com Clementino Jr. do Cineclube Atlântico Negro (CAN). 


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