Em alusão ao Dia Mundial de Conscientização sobre as Doenças Falciformes, 19 de junho (sexta-feira), aconteceu, na manhã desta quinta-feira (18), no Paço Municipal de Macaé, a primeira etapa da capacitação do Programa Municipal de Doença Falciforme voltada a técnicos de enfermagem e a agentes comunitários de saúde. A segunda etapa, na próxima semana, tem como público-alvo médicos e enfermeiros e abordará diagnóstico e tratamento. A capacitação conta com a palestra do médico hematologista e hemoterapeuta, Glauber Miranda de Lacerda, atuante no Programa Municipal e referência local sobre o tema.
Na segunda etapa, haverá ainda uma palestra da equipe da Saúde da População Negra aberta a profissionais da Saúde de todos os níveis. Neste primeiro encontro, o foco esteve nos processos de mapeamento, de notificação e de cuidados. A coordenadora do Programa Doença Falciforme, Myrna Maximiano, ressaltou que a palestra da equipe da Saúde da População Negra tratará sobre as principais doenças.
“Sobe as doenças falciformes, no ano passado, realizamos uma capacitação neste mesmo formato. Nós praticamente não tínhamos adultos em acompanhamento. Hoje nós estamos com 45 crianças e adolescentes e 27 adultos, inclusive gestantes com traço falciforme”, disse.
“A Doença Falciforme é genética e muito prevalente. Temos as síndromes falciformes e as doenças falciformes, que são coisas distintas. Algumas pessoas têm uma alteração genética
que determina a formação de uma hemoglobina diferente. A hemácia fora do padrão, vive menos. Em vez de 120 dias, por volta de 10 a 15 dias, o que causa anemia e consequente baixa oxigenação. A hemácia que sobrevive menos arrebenta (hemólise). Isso causará coloração amarelada na pele, olhos e mucosa. Esta obstrução causa áreas de infarto, diversos sintomas no paciente e crises de dor. O paciente falcêmico apresentará infecções de repetição”, explica o hematologista.
Aos técnicos de saúde, o médico recomenda que, em sua área de cobertura, eles orientem o paciente a se proteger do frio. De acordo com o especialista, há 600 vezes mais chance de o paciente de anemia falciforme ter um quadro séptico seguido de óbito. Os profissionais foram direcionados a acompanhar o tratamento preventivo de aplicação do antibiótico mensal, especialmente para aqueles até 5 anos de idade. Os sintomas têm início do nono mês a um ano de idade e a doença pode ser diagnosticada por meio do teste do pezinho. Estes pacientes têm prioridade para realização de exames e as vacinas devem ser acompanhadas. Ele recomendou ainda uma atenção especial aos adolescentes, por volta de 14 anos de idade, que podem precisar de acompanhamento psicológico para dar continuidade ao tratamento.
A técnica de enfermagem atuante no bairro Engenho da Praia, Rafaela Carneiro Tavares, considera que esta capacitação auxiliará o seu trabalho em sua área de cobertura.
“Nós temos este olhar para o paciente. Eu ainda não tenho paciente com esta patologia, mas vou estar preparada se vier a ter. Achei a palestra muito interessante”, disse.
“Esta palestra é muito importante. Depois deste treinamento, me sinto preparada para lidar com estes pacientes”, disse a agente comunitária de saúde do Sana, Keila Gomes. No Rio de Janeiro, a estatística da Doença Falciforme é de, em média, um para cada mil nascidos.