Com a chegada do verão e o aumento das chuvas, a Prefeitura de Macaé, por meio do Programa de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde, intensificou o alerta à população sobre a prevenção das arboviroses — dengue, chikungunya, zika e oropouche. A preocupação se deve ao crescimento esperado no número de casos neste período, considerado mais favorável à proliferação dos insetos transmissores.
Dengue, chikungunya e zika são causadas por vírus diferentes, mas têm em comum o principal vetor: o mosquito Aedes aegypti. Amplamente disseminadas no Brasil, essas doenças apresentam sintomas semelhantes, como febre, dor no corpo, dor de cabeça e manchas na pele, o que dificulta o diagnóstico inicial e exige atenção redobrada dos serviços de saúde.
Segundo a Vigilância Epidemiológica, a transmissão ocorre principalmente pela picada da fêmea do mosquito infectado. Em situações específicas, também pode haver transmissão vertical — da mãe para o feto — especialmente nos casos de zika e chikungunya. O vírus da zika, ainda que raramente, pode ser transmitido por via sexual ou transfusional.
Apesar das semelhanças, cada doença apresenta características próprias. A dengue costuma provocar febre alta, dor intensa no corpo e atrás dos olhos, podendo evoluir para quadros graves com sangramentos e risco de morte. A chikungunya se destaca pelas dores e inchaços articulares intensos, que podem se tornar crônicos. Já a zika geralmente causa febre baixa, coceira intensa, manchas na pele e conjuntivite, além de estar associada a complicações neurológicas e malformações congênitas, como a microcefalia.
Não há antivirais específicos para nenhuma dessas doenças. O tratamento é baseado no alívio dos sintomas, hidratação e acompanhamento médico. Por isso, a principal estratégia de enfrentamento continua sendo a prevenção, com o controle do mosquito e a eliminação de criadouros.
A gerente de Vigilância em Saúde, Daniela Bastos, reforça o papel da população nesse processo. “Com o aumento da temperatura e das chuvas, é crucial que a população esteja atenta. Recomenda-se o uso de repelentes e óleos corporais para proteção contra picadas de mosquito. Além disso, é importante que cada pessoa reserve dez minutos semanais para verificar possíveis focos de proliferação em suas residências, como calhas, ralos, vasos e pratos de plantas”, destacou.
Entre as medidas recomendadas estão manter caixas d’água bem tampadas, eliminar recipientes que acumulem água parada, usar repelentes adequados, instalar telas em portas e janelas, vestir roupas que cubram braços e pernas e manter os ambientes limpos e sem lixo acumulado.
Atenção ao vírus Oropouche
Além das arboviroses já conhecidas, a Secretaria de Saúde chama atenção para o vírus Oropouche, uma doença febril aguda causada pelo Orthobunyavirus oropoucheense. Identificado no Brasil em 1960, o vírus tem provocado surtos principalmente na região Amazônica, mas nos últimos anos vem se adaptando ao meio urbano e se aproximando de grandes cidades.
A transmissão ocorre, principalmente, pela picada do Culicoides paraensis, conhecido como maruim ou mosquito-pólvora. Os sintomas são semelhantes aos da dengue, incluindo febre alta, dor de cabeça intensa, dores musculares e articulares, náuseas e, em alguns casos, diarreia. Assim como as demais arboviroses, não há tratamento específico, sendo indicado repouso, hidratação e acompanhamento médico.
A Vigilância orienta que, diante de sintomas suspeitos, a população procure imediatamente uma unidade de saúde e informe sobre possível exposição a áreas de risco. A prevenção também passa pelo uso de roupas protetoras, repelentes, telas em portas e janelas e pela manutenção de quintais e áreas externas limpas.
A Secretaria Municipal de Saúde reforça que a vigilância contínua e a participação ativa da população são fundamentais para reduzir os casos e evitar complicações, especialmente entre gestantes, grupo considerado prioritário no acompanhamento e na notificação de casos suspeitos.